Adaptando-se ao inevitável


De uns tempos pra cá,descobri que sou uma pessoa adaptativa.Depois de escutar esse definição sobre mim,vinda de um professor meu,comecei a analisar.Prestei atenção e continuo atenta ao meu cotidiano e,irrevogavelmente,me adapto bem às situações da minha vida.
Recentemente,estive muito preocupada e ansiosa com minha melhor amiga e seu intercambio de 6 meses na França.Ela iria me privar de risadas e fofocas durante a aula,além da óbvia relação de amizade - sem falar na sua estranha habilidade de ler meus pensamentos.Assim,sendo egoísta e fingindo não me importar,fui me acustumando a não conversar com ela durante as aulas.Deixei pra lá as mensagens e me permiti,apenas no aeroporto,segundos antes dela partir,chorar algumas lágrimas.Hoje,já não sinto que uma parte de mim foi pra Europa curtir com os franceses,como a mãe dela me falou estar sentindo.Claro,ainda nos falamos pela internet,e é sempre muito engraçado.Cada uma querendo falar mais alto por cima da outra,pra contar as novidades.Mas,felizmente para mim,a egoísta,não sinto tanta falta.Não mais.
Também recentemente,fiz duas viagens sozinha,sem meus pais.Somente eu,meus amigos e Deus.E é incrível como você se esquece totalmente da sua vida em casa,quando viaja sozinha.Então me peguei pensativa novamente.Eu me adaptava tanto ao lugar que,já me sentindo parte do cenário,não lembrava mais da outra vida.Como se a paisagem mudasse e eu a estivesse acompanhando.
E agora,refletindo um pouquinho mais,consigo pensar em mais uma dezena de coisas as quais eu me adapto com o passar do tempo.O clima,a roupa da moda,o corte de cabelo,a novela nova que começou segunda-feira e um livro que comecei a ler ontem a noite.A saudade que já esqueci e a minha fama de romântica-pseudo-engraçada-hipster.As mesmas aulas com os mesmos colegas,ano após ano.E o meu irritante jeito de me apaixonar facilmente.Meu celular,e qualquer outro aparelho eletrônico que,em minhas mãos,sempre acaba a bateria,bem na hora em que são mais necessários.
Agente se acustuma com a vida e,mesmo que ela mude de rumo toda hora,é fácil - para mim,pelo menos - a transição e a instalação.É tipo quando você tem que formatar seu computador e não dá pra salvar todas as suas músicas e suas fotos.Você recebe ele de volta com buracos e, daí em diante,vai preenchendo-os,até o dia em que aquilo se torna normal de novo.
É nesse ponto que você percebe se conseguiu se adaptar à nova situação ou não.
Eu sempre percebo.

The XX

 Sempre que me descuido,estou ouvindo The XX ,olha ai o show pocket deles


Ferramentas do Skoob,romântica insaciável,anti-heróis e citações



Recentemente descobri uma coisa no Skoob,os grupos.Funciona como comunidades (sim,tipo aquelas do já falecido Orkut),onde as pessoas entram e começam a opinar e conversar sobre "n" assuntos.
Sinceramente,acho que essa é uma das melhores ferramentas do site.Tenho muita vontade de discutir e xingar o livro todo,quando acabo de ler um,e achar alguém que já tenha lido a história em questão não é uma coisa fácil.Então é sempre bom poder comentar a sua última leitura,nem que seja online e de um jeito frio - sem demonstrar muito a sua felicidade/empolgação,como seria ao vivo.
Não deu outra.Pesquisei meus livros favoritos e fui me inscrevendo em cada grupo,faminta por fóruns de discussão sobre a morte de personagens em Jogos Vorazes, teorias sobre Código DaVinci,entre outros.Até que me deparei com certo grupo chamado "Me apaixono por personagens" ,e foi aí que descobri que sou uma romântica irremediável.
Num dos tópicos, "Frases de seu personagem favorito",encontrei a página na internet que mais me fez derramar lágrimas até hoje.Sim,sou suficientemente drámatica e chorona para me emocionar com citações desde o taciturno e misterioso Mr.Darcy,ao não-tão-homem e brilhante (sim,ainda acho que ele é o personagem mais gay da literatura moderna) Edward Cullen.Descobri,também,meu amor por anti-heróis.Aqueles personagens que tem tudo para ser o vilão,mas acabam mostrando um lado diferente e novo de si mesmo,seja apenas para o leitor,ou também para o outro protagonista (por quem é perdidamente apaixonado/a; ~suspiros~).
Assim,em meio à "você é minha vida agora" e "te amo ardentemente",vi uma Gabriella que ainda não conhecia.Ou talvez sim,mas lutava para não admitir,com medo de que ela grudasse em mim e ficasse de vez.Sim,uma romântica incurável,irreversível e insaciável.Por mais que eu tentasse parecer concreta e fria,esse novo lado meu sempre dava sua opinião e,assim como o leitor enxerga o outro lado do anti-herói,espero aprender à conviver comigo mesma.
É sempre bom se conhecer melhor e saber lidar com isso - mesmo que isso seja uma chorona melodramática e amadora de anti-heróis.Principalmente quando você estiver zapeando pela internet e lembrar de uma citação daquele livro :
"É quase impossível evitar o excesso de amor que um bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo." - Clarice Lispector (ou a Rainha das Citações,como você preferir)